Uma experiência inusitada em Asmterdam: body painting


Teleport Hotel, como já devem ter visto em alguns outros posts aqui do blog, tem uma pegada bem alternativa. Muitos quartos são pintados e grafitados por artistas do mundo inteiro, é weedfriendly, petfriendly… Enfim, é a cara de Amsterdam! Na minha última ida à capital holandesa, um dos artistas que pintou parte do hotel, Mr Juice, estava por lá. Ao saber da minha presença a convite do Teleport, me fez uma proposta quase que inusitada. Na verdade, bem inusitada: Luisa, vamos fazer um body painting para um ensaio fotográfico seminu?

ORGANIZANDO SUA VIAGEM

Oi, body painting e seminua?

Juice é também famoso por sua arte free style e pelas pinturas corporais que já faz há anos. Bom.. Eu não estava muito preparada para um convite desses, confesso. Ficar seminua em Amsterdam não estava nos meus planos. Não sou muito chegada a ensaios fotográficos e, pode não parecer, mas sou um pouco tímida. Na hora do convite, dezenas de limitações vieram à minha cabeça. Eu não queira me expor, ia ficar com vergonha, como mostraria essas fotos no Leve na Viagem (blog e instagram), o que faria com as fotos, o amigo e fotógrafo Tiago Machado estava comigo.. Enfim, inúmeras questões mentais. Claro que tudo isso viria à tona, afinal, além de ser uma atividade diferente do usual, incluía o nu, que é tabu para todo mundo.

Desafios…

Resolvi pensar mais a fundo nessa proposta. Aí é que vieram os desafios, mas daqueles bons.
Pensei milhões de coisas, confesso, mas tentando resumir:

  • Primeiro > o que os outros vão pensar de mim é problemas deles, não meu! Que LIBERTADOR!!! Uau, ganhei estrelinha com esse pensamento. Vocês têm noção do quanto isso é incrível? Não se preocupar com o que os outros vão achar de você e da sua escolha? Sério…. Surreal de boa essa sensação! #recomendo e #ficaadica.
  • Segundo >  o que eu vou perder com isso? Nada, só tenho a ganhar.
  • Terceiro > é uma experiência única e artística em plena Amsterdam, a cidade mais liberal do mundo! Qual a probabilidade disso acontecer de novo?!
  • Quarto > as fotos, provavelmente, iriam ficar lindas! O artista, de fato, tinha experiência na área, e meu amigo e fotógrafo Tiago sempre foi incrível.
  • Quinto > vamos pensar em empoderamento feminino? Nosso corpo é nosso templo e fazemos com ele o que quisermos. Se, para mim, aquela experiência me traria bons desafios e muitas quebras de barreiras, por que não? Tenho uma série de pessoas que me acompanham, a maioria mulheres. Seria uma boa oportunidade para tocar nesse assunto… Sim, podemos fazer o que quisermos, sem medo de julgamentos. Sim, há uma diferença grande entre sensual e sexual, e qualquer que seja o tipo de ensaio, tá valendo, afinal, nós somos donas das nossas próprias escolhas. Não, não temos que temer ninguém. E não, não devemos nos importar com o que os outros vão pensar de nós mesmas. Isso é algo indescritível. O livre arbítrio é inerente a nós e se não usufruirmos dele, quem é que vai?
    Liberdade é algo que vai muito além do termo em si, é uma vivência. E me propus viver isso, de corpo e alma, literalmente. Se permitir é algo que só nos traz coisa boa, mesmo que seja depois de um tombo.

Poderia ficar horas escrevendo sobre sensações e sobre meus pensamentos de empoderamento, mas acho que dá para ter uma ideia do que senti e dos valores que estiveram presentes nesse ensaio, né?

Como foi o body painting

Bom, escolha feita e borboletas no estômago, fomos para um dos quartos do hotel para eu ser pintada. Colocamos uma música, abri uma cerveja e pronto, trabalhos iniciados. Escolhemos as cores que seriam utilizadas, Juice preparou o material, eu tirei a roupa (eita) e falei: vamos lá!

Tiago Machado, a postos, registrou todo o trabalho de body painting, que durou cerca de 2h30. As cores escolhidas foram de acordo com algumas pinturas do Teleport Hotel que o artista tinha pintado, como a escada de um dos prédios, por exemplo. A ideia era fotografar tanto dentro do hotel quanto na área externa, na prainha que eles fazem durante a primavera e verão.

Era final de abril, em plena primavera na Holanda, mas o frio rolava solto. Acho que a temperatura estava mais ou menos 10, 11 graus Celsius e não foi razoável. Isso também era um desafio!

Mas calma, como foi sair do hotel seminua e caminhar como se nada estivesse acontecendo?
Bem.. Eu saí do quarto com um roupão (até porque estava frio, lembra?!) e fui até a entrada do hotel. Aguardei os dois fotógrafos se prepararem, arrumarem o cenário e lá fui eu. Como cenas em camêra lenta, fui tirando ainda sem muita coragem o roupão, abri a porta e pensei: nossa, que loucura eu tô fazendo!

Hahaha, juro que foi o primeiro pensamento que veio, mas depois que coloquei os pés para fora, não tinha mais volta. Me entreguei.

 

O Ensaio

Confesso que não fiquei com vergonha. No momento inicial tinha apenas homens ao redor. O pintor, meu amigo fotógrafo, o gerente do hotel e mais uns 3 caras que trabalhavam lá. Aos poucos o movimento começou, tanto de pessoas que entravam e saíam do hotel, quanto curiosos que paravam para assistir ao ensaio.

Não tinha tempo nem cabeça para ficar envergonhada, no frio que fazia e na concentração que estava, meu foco era nas fotos. Também, pelo fato de ter internalizado que aquilo estava acontecendo porque EU queria, as coisas foram mais simples do que eu imaginava. Incorporei mesmo a MINHA escolha e fiquei firme e forte.

Não ficar insegura em uma situação dessas é tão poderoso! Se sentir dona de si mesma, sem angústicas estéticas ou julgadoras. Queria repetir isso milhões de vezes, como foi uma experiência de EMPODERAMENTO e MARAVILHOSAMENTE LIBERTADORA!

ORGANIZANDO SUA VIAGEM

Nunca tinha pensado em fazer um body painting na vida, muito menos em Amsterdam. Eu ia perder uma oportunidade dessas por medo, receio, timidez ou insegurança? Não.. A vida está aqui para ser vivida, experimentada e ter certos limites ultrapassados. Então, o ensaio foi, no fim das contas, uma experiência e tanto!

O que achei da experiência

Particularmente, achei incrível. Acho que a energia e a razão envolvida na experiência contribuíram para isso. O feedback que recebi dos seguidores e amigos foi muito positivo e senti que quebrei um gelo interno que nem imaginava ter. Até faria de novo, com mais prazer e naturalidade.

Esse post, por exemplo, ainda foi desafiador escrever. Na verdade, escrever não, mas colocar as fotos. Resolvi não deixar tudo a mostra para não chocar demais os mais puritanos e o pessoal da velha família tradicional brasileira. Não por insegurança ou qualquer coisa do tipo.
É claro que está aberto para críticas e julgamentos de pessoas que não captem ou entendam de liberdade de expressão, arte, feminismo ou empoderamento de gênero. Ok, faz parte. Mas quebrar paradigmas é isso! Postá-lo, é mais uma barreira que ultrapasso.

Para quem acha um ensaio de body painting como esse normal e natural, perfeito, estamos junt@s!!

Para os que não acham, espero que sirva de inspiração e que incentive a libertação pessoal de cada uma de vocês, por mais invisível que ela seja. Não é só mulher famosa, com corpo sarado e em carnaval que pode, não.
Sigamos fortes e prezando sempre pela nossa liberdade de escolha, de expressão, de atitude e de pensamento!

 


Essa viagem para Amsterdam foi a convite do Teleport Hotel e contou também com a CVC Brasília Shopping (@cvcbrasiliashopping) que foi parceira primordial para o projeto! A empresa está super aberta a roteiros alternativos como esse que fiz na Holanda!


 

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